Após oito anos de conflito, os sistemas de saúde em partes do Oriente Médio estão entrando em colapso sob o peso do deslocamento, das doenças e da escassez de recursos. Para as famílias, o impacto é devastador. Hospitais que antes atendiam províncias inteiras agora lutam para manter medicamentos básicos em estoque, enquanto postos de saúde rurais enfrentam longos atrasos e prateleiras vazias.
“O conflito e o deslocamento deixaram cicatrizes profundas na mente das pessoas”, disse Ali Daoudi, diretor de comunicação e defesa da ADRA Iêmen. “O conflito armado não apenas destruiu edifícios — ele quebrou o senso de segurança e pertencimento que mantém as comunidades unidas.”
As crianças carregam o fardo mais pesado. Quase 500 mil delas precisam urgentemente de tratamento contra a desnutrição aguda grave que ameaça suas vidas. Em alguns distritos, as consequências da falta de medicamentos já foram fatais.
“Duas crianças morreram na semana passada esperando o remédio que lhes havia sido prometido”, relataram colegas da ADRA Iêmen em agosto. “É um lembrete doloroso de que cada atraso na ajuda custa vidas.”
Casos como esses destacam uma preocupação crescente em todo o país: quando os medicamentos não chegam a tempo às comunidades, mortes evitáveis ocorrem de forma silenciosa e sem registro.
A perda de financiamentos essenciais não apenas reduziu o acesso a serviços de saúde para cerca de 170 mil pessoas por mês, mas também limitou a capacidade de monitoramento, tornando mais difícil avaliar a dimensão total do impacto.
“Muitas mães caminham por horas sob o sol escaldante para chegar à unidade de saúde mais próxima, carregando nos braços crianças fracas e desnutridas, na esperança de salvá-las”, disse Ali Daoudi. “E imagine a decepção quando elas chegam e descobrem que não há medicamentos disponíveis.”
Ainda assim, há esperança. Com apoio modesto, as equipes da ADRA têm mostrado que conseguem manter clínicas abertas, mover suprimentos conforme a necessidade e salvar vidas.
Há apenas algumas semanas, um subsídio emergencial de 10 mil dólares permitiu a entrega de medicamentos essenciais a nove unidades de saúde em Lahj e Abyan. Essa intervenção pequena, mas oportuna, evitou a falta de estoques, garantiu tratamento para centenas de pacientes e impediu a perda de medicamentos que corriam o risco de vencer nos armazéns.
Visitas de campo realizadas com parceiros da ADRA confirmaram a urgência da situação. Nos hospitais Al Milah e Khanfar MCH, pacientes estão viajando quase quatro horas até Áden para receber atendimento, enfrentando altos custos e longos atrasos. Profissionais de saúde — muitos sem salário há anos — continuam atendendo seus vizinhos com notável dedicação e compaixão.
“Os hospitais lutam para permanecer abertos”, disse Daoudi. “Sem salários, com poucos medicamentos e combustível escasso, os profissionais de saúde continuam servindo por pura compaixão e senso de dever.”
Em 2024, a ADRA alcançou mais de 1,4 milhão de pessoas na região com serviços de saúde, nutrição e proteção. Neste ano, porém, interrupções no financiamento forçaram reduções de atividades, deixando centenas de milhares de pessoas sem atendimento.
A ADRA continua gerenciando mais de 700 mil dólares em medicamentos e trabalha em estreita colaboração com as autoridades locais de saúde para garantir uma distribuição segura e transparente. Com recursos adequados, esses insumos podem ser enviados rapidamente a hospitais e clínicas, protegendo famílias de doenças e mortes evitáveis.
“Algumas crianças chegam tarde demais”, compartilhou Daoudi, comovido. “É possível ver a dor nos olhos dos profissionais de saúde enquanto tentam lutar contra o que a fome já roubou. Mas, toda vez que o peso de uma criança melhora, mesmo que um pouco, uma centelha de esperança volta a surgir. Essa pequena vitória é o que mantém nossas equipes firmes.”
A campanha “Ajuda Médica que Salva Vidas no Oriente Médio” é um lembrete do que está em jogo: a vida das crianças, a dignidade das comunidades e a resiliência dos sistemas de saúde sob pressão.
Também é um testemunho do que é possível quando há ação — cada medicamento entregue, cada profissional apoiado e cada vida salva traz esperança às famílias que se recusam a desistir, mesmo nas circunstâncias mais difíceis.
A versão original deste artigo foi publicada no site da ADRA Internacional. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.






