Uma semana depois da passagem do supertufão Fung-Wong (também chamado Uwan) por Luzon e partes das Visayas, nas Filipinas, as comunidades seguem em processo de recuperação diante da destruição causada por um dos fenômenos mais fortes do ano. O tufão tocou o solo na província de Aurora em 9 de novembro de 2025, provocando enchentes generalizadas, deslizamentos de terra, queda de energia e o deslocamento de milhares de pessoas em diversas regiões.
O Fung-Wong chegou como o segundo grande tufão em menos de uma semana, atingindo províncias já enfraquecidas pelo tufão Kalmaegi. Com ventos constantes de 185 km/h e rajadas que chegaram a 215 km/h, a tempestade gerou ondas superiores a três metros que invadiram cidades costeiras, fazendo com que famílias precisassem sair às pressas durante a noite. Segundo órgãos governamentais, 1,3 milhão de pessoas buscaram abrigo antes da chegada do tufão, e mais de 480 mil ficaram deslocadas enquanto o sistema atravessava o norte de Luzon.
Impacto generalizado em diversas regiões
A região de Bicol sofreu o impacto mais severo, registrando mais de 652 mil dos 836 mil afetados em todo o país. Rodovias e pontes em oito regiões ficaram intransitáveis, e 155 cidades e municípios perderam energia elétrica no auge da tempestade. Muitas áreas ainda enfrentavam fornecimento limitado de eletricidade uma semana após a chegada do tufão.
Houve mortes relatadas em Bicol e no Leste de Visayas, além de centenas de pessoas feridas enquanto as enchentes avançavam e destroços atingiam residências. Mais de mil casas sofreram danos parciais, e cerca de 100 foram destruídas, especialmente na Península de Zamboanga. Devido ao mar agitado, portos suspenderam operações, deixando passageiros e cargas retidos enquanto as comunidades lutavam para recuperar a estabilidade.
Aumento da pressão humanitária
O Fung-Wong agravou os impactos de uma sucessão de desastres que atingiram as Filipinas nos últimos meses. Centros de evacuação — ainda abrigando famílias afetadas por emergências anteriores — ficaram superlotados, aumentando preocupações com proteção e sobrecarregando os recursos disponíveis.
Equipes do governo local realizaram operações de busca e resgate e distribuíram suprimentos iniciais de ajuda. Órgãos nacionais mobilizaram alimentos, água, kits de abrigo, apoio médico e serviços psicossociais. No entanto, estradas bloqueadas, bairros alagados e comunidades isoladas dificultaram a entrega de assistência.
ADRA realiza avaliações e amplia a resposta
Após a passagem da tempestade, a ADRA Filipinas iniciou avaliações coordenadas no Norte e Centro de Luzon e na região de Bicol para identificar necessidades urgentes. Equipes em Bicol e na região de Cordillera forneceram atualizações em tempo real diretamente do campo, utilizando ferramentas digitais para fortalecer a coordenação e melhorar os relatórios.
As avaliações focaram especialmente em famílias vulneráveis localizadas em áreas propensas a enchentes e deslizamentos, refletindo o compromisso da ADRA em apoiar comunidades que enfrentam perdas e incertezas. A ADRA atuou em estreita parceria com os Agrupamentos Nacionais de Abrigo e Saúde para compartilhar dados, alinhar recursos e garantir apoio oportuno às famílias mais afetadas.
Recentemente, a ADRA recebeu aprovação para seu pedido de resposta emergencial ao Supertufão Fung-Wong, permitindo o avanço das operações nas províncias-alvo de Aurora e Quezon, sob a administração das Associações Central de Luzon (ACL) e Centro-Sul de Luzon (ACSL). Esse avanço fortalece a capacidade da ADRA de fornecer assistência vital às famílias diretamente atingidas na zona de impacto do fenômeno.
Outras propostas de financiamento estão em andamento, enquanto o UNFPA confirmou apoio por meio do fundo CERF para ações de saúde sexual e reprodutiva e assistência financeira relacionada à violência de gênero na ilha de Catanduanes. À medida que novos recursos são mobilizados, a ADRA espera ampliar suas operações em diversas regiões afetadas pela tempestade.
Desafios operacionais pela frente
As equipes de resposta têm trabalhado em condições difíceis e perigosas. Estradas alagadas, deslizamentos, terrenos instáveis e cabos de energia caídos atrasaram o deslocamento. Recursos financeiros limitados e equipes sobrecarregadas intensificaram a pressão, já que a ADRA atende emergências simultâneas em várias regiões do país.
Mesmo diante dessas restrições, a ADRA segue cumprindo sua missão de servir comunidades em seus momentos de maior necessidade. A segurança das equipes, a coordenação com autoridades locais e o monitoramento contínuo têm guiado as operações enquanto famílias enfrentam os desafios da recuperação.
Um chamado à esperança e à reconstrução
Em Catanduanes, Camarines Sur e outras províncias devastadas, cenas de árvores derrubadas, estradas submersas e casas danificadas revelam a dimensão do impacto do Fung-Wong. Contudo, em meio à destruição, vizinhos unem forças para remover destroços, comunidades compartilham recursos limitados e voluntários oferecem ajuda àqueles que perderam mais.
À medida que as famílias retomam a vida, a ADRA e seus parceiros seguem comprometidos em restaurar serviços essenciais e fortalecer a recuperação a longo prazo.
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Sul-Asiática do Pacífico.






