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“A REFORMA É INTERMINÁVEL”, DIZ LÍDER ADVENTISTA AO PARLAMENTO EUROPEU

20 de outubro de 2017
20 de outubro de 2017
Raafat Kamal

Raafat Kamal

Raafat Kamal, presidente do território transeuropeu da Igreja Adventista do Sétimo Dia, falou sobre a graça e a tolerância durante o Parlamento Europeu em Bruxelas, na Bélgica.

Juntamente com principalmente teólogos luteranos, pastores, membros do Parlamento Europeu (MEP) e historiadores da Igreja, Kamal foi convidado a falar no evento do Comitê Celebratório do Parlamento Europeu na terça-feira, 17 de outubro, no prédio do Parlamento em Bruxelas, na Bélgica.

Organizado pelo deputado Hannu Takkula, vice-presidente do Intergrupo Parlamentar para a Liberdade de Religião e Crença, o objetivo do dia foi explorar lições da Reforma que possam moldar positivamente a Europa no futuro. 

Desde o início, houve uma forte ênfase na “graça”, um conceito que, segundo o bispo Simo Peura da Igreja Evangélica-Luterana da Finlândia, “abre o papel profético da comunidade”. Ele notou o exemplo de Lutero em Wittenberg de um “fundo comum para os pobres”, e sua forte ética de trabalho que era para o bem-estar de toda a comunidade. 

O deputado holandês, Peter van Dalen, também se concentrou na importância da graça, observando que estava intimamente ligada ao “fazer justiça” (Salmo 37). Ele afirmou que é “essencial para nós, como políticos, buscar a justiça e evitar a injustiça”. Enfatizou que “o bom governo buscará o bem-estar do nosso próximo”, acrescentando: “A política graciosa é direcionada para “o outro”, um vizinho, o meio ambiente”.

A tradução da Bíblia para as línguas nacionais foi considerada significativa por vários palestrantes. A chave, de acordo com o teólogo e historiador húngaro, Dezsö Buzogatusny, foi que colocava a Bíblia na mesa de cada família. Também ajudou a estabelecer a língua,  e, igualmente, conduziu à identidade nacional. A ênfase na leitura das Escrituras levou à educação—inclusive para as meninas! Isso transformou a Europa. Ele declarou vigorosamente que a escola, serviço social e missão ainda são a chave para hoje. 

Os oradores observaram que muitas questões da Reforma ainda eram altamente significativas hoje. “A tolerância ainda é um grande problema”, disse o deputado Arne Lietz. O sacerdote ortodoxo, padre Heikki Huttunen, observou que diferentes tradições cristãs podem se unir “no relevante, e não na rotina”. Com isso ele quis dizer que diferentes abordagens de uma variedade de origens podem levar a uma melhor compreensão em áreas de testemunho, justiça e hospitalidade. “A migração é um problema, não apenas para aqueles que entram na Europa, mas também para os que se deslocam internamente”, explicou. Ele sublinhou a necessidade de uma entrada segura na Europa para reduzir o tráfico de seres humanos e a exploração criminal. “A Igreja precisa trazer essa discussão à mesa”, afirmou. 

Kamal foi um dos últimos palestrantes que levou o público atento de volta ao conceito de graça, expondo o princípio do Antigo Testamento em Miqueias 6: 8, para “fazer justiça, amar a misericórdia e caminhar humildemente com o seu Deus”. 

“Martinho Lutero, com a sua consciência transformada, manteve-se firme a esse conceito, que desde então inspirou gerações de crentes e pessoas não-religiosas. Durante o discurso de Lutero em seu julgamento na Dieta de Worms, ele reforçou uma mensagem para hoje: “A menos que eu seja condenado pela Escritura e pela clara razão, a minha consciência é cativa da Palavra de Deus”.

“Abraçar a liberdade religiosa é defender e integrar a dignidade dos seres humanos em nossas leis, cultura e modo de vida”, disse Kamal. “É adotar uma atitude pessoal de tolerância, em que a tolerância é uma expressão de solidariedade para todos os membros da família humana. Isso se traduz em respeito por cada ser humano, afinal, somos criados à imagem de Deus e isso só pode ser genuíno quando os direitos dos outros são respeitados”. 

No entanto, para Kamal, isso vai de mãos dadas com a missão. Antes de destacar alguns dos aspectos da missão da Igreja que ela conduz, ele enfatizou: “A maioria das pessoas sabe que Jesus veio para trazer perdão e graça—essas são características da

Reforma. Menos conhecido é o ensinamento bíblico de que uma verdadeira experiência da graça de Jesus Cristo inevitavelmente motiva pessoas, comunidades e nações a ver e aplicar a justiça e misericórdia bíblicas neste mundo “. [Leia o seu discurso completo aqui.]

Martinho Lutero poderia ter ficado surpreso se ele tivesse se encontrado sentado no prédio do parlamento. Dois oradores, ambos de origem católica, falaram muito do seu contributo para o desenvolvimento da Europa. Mairead McGuinnes, primeira vice-presidente do Parlamento Europeu, desenvolveu uma grande compreensão e tolerância para com aqueles que pensam de maneiras diferentes da forma como foi criada. “Mesmo minha mãe”, ela confessou, “pensava que podia conversar diretamente com Jesus e não precisava passar por um intermediário”. Ela reiterou o mesmo ponto que Kamal sublinhou: “A Igreja deve continuar se reformando”.  Embora o cristianismo não seja tão influente como costumava ser na Europa secular, enfatizou que a Igreja desempenha um papel importante em nossa sociedade. 

Talvez, não sendo surpresa no assento da legislação europeia, a palestrante final foi uma advogada, embora também teóloga. Katrin Hatzinger reconheceu os erros de Lutero no tratamento dos anabatistas e dos sabatarianos (entre outros), mas, através desses erros, ela viu a base do aprendizado para o diálogo atual. Vê a Igreja como uma “contrapartida crítica” no diálogo legislativo e um grande provedor de conhecimentos em,  por exemplo, áreas tais como o tratamento aos requerentes de asilo e refugiados. Numa nota de liberdade religiosa, ela declarou: “Queremos que as diferenças das Igrejas sejam reconhecidas pela UE”. Recapitulando o que se discutiu, Kamal levantou a reflexão de que “a Reforma contínua, a implicação para hoje, baseada na Palavra de Deus; eu vi isso hoje, nas apresentações que foram compartilhadas”. [TedNEWS]

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