Rashila Askarova estava entre os delegados que participavam pela primeira vez de uma reunião na sede da Associação Geral (AG), bem longe de sua casa no Cazaquistão. Em um país onde a evangelização pública é restrita e a Igreja Adventista é relativamente pequena, pregar nas ruas não é uma opção. Nesta semana, em seu primeiro Concílio Anual, ela busca aprender com líderes que atuam em realidades muito diferentes.
“Estou animada para conhecer as iniciativas que nos ajudarão a inspirar os membros locais para o reavivamento espiritual e a missão”, disse ela.
Já se passaram quase 100 dias desde a Assembleia da Associação Geral. Muitos dos delegados internacionais que participam do Concílio Anual em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos, são novos em suas funções ou foram recentemente transferidos. Segundo os líderes, para muitos, esses primeiros meses foram marcados por transição e, em alguns casos, por isolamento.
Reconhecendo a necessidade comum de conexão e mentoria entre líderes de uma igreja mundial com mais de 24 milhões de membros, o Concílio Anual teve início em 8 de outubro de 2025 com uma recepção de boas-vindas na noite anterior ao início oficial das reuniões. O objetivo foi proporcionar um momento de integração entre líderes de diferentes regiões e acesso a recursos ministeriais.
Por que o Concílio Anual começou de forma diferente
Os organizadores do evento destacaram que o novo formato, com recepção antes das sessões administrativas, prioriza o registro antecipado, a orientação e a adoração.
“Em anos anteriores, os líderes chegavam pela manhã, enfrentavam filas para o credenciamento e, às vezes, perdiam o culto e as apresentações iniciais sobre missão”, explicou Sabrina DeSouza, tesoureira associada da AG que está à frente do Concílio Anual. “Ao transferirmos o credenciamento e realizarmos um programa de boas-vindas na noite anterior, os delegados puderam se conectar, retirar materiais e começar a agenda do dia seguinte já alinhados com a missão.”
Para apoiar esse propósito, os departamentos prepararam uma versão compacta das exposições apresentadas durante a Assembleia da Associação Geral, permitindo que os líderes que passaram o mês de julho em reuniões administrativas também tivessem acesso a materiais práticos de liderança.
“Isso torna esses recursos novamente acessíveis”, afirmou DeSouza. Os organizadores destacaram que o formato de abertura também cria um espaço para mentorias informais, à medida que delegados novos e veteranos se encontram antes do início das sessões.
Ela acrescentou que a hospitalidade também foi cuidadosamente planejada.
“Vocês vão perceber que estamos procurando representar e celebrar diferentes culturas durante as reuniões desta semana, com cada refeição destacando uma cultura diferente”, explicou DeSouza.
“Queremos que toda a experiência transmita a mensagem: ‘Bem-vindo à sua casa’. Esta é a sede da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Esta é a casa deles, e queremos garantir que todos se sintam bem acolhidos”, acrescentou Silvia Sicalo, gerente associada de gestão do Concílio Anual.
Realidades diferentes, missão compartilhada
As conversas durante a recepção de abertura enfatizaram um tema comum: apesar dos desafios e contextos diversos, há um compromisso unificado em avançar a missão ao redor do mundo.
Daniel Mohanraj, presidente da União Sul-Central Indiana, contou que está visitando a sede da Associação Geral e participando como delegado do Comitê Executivo pela primeira vez.
“Fiquei realmente impressionado ao ver esta bela sede, e tenho orgulho de pertencer a esta igreja mundial”, disse ele.
Do Pacífico Sul, Danny Philip, presidente da União de Papua-Nova Guiné, destacou que sua primeira experiência nas reuniões anuais da igreja mundial evidenciou o valor de ouvir relatórios e trocar experiências com líderes de outras regiões.
“Você percebe que esta não é uma igreja isolada, atuando em apenas um lugar”, afirmou. “Conectar-se com outros líderes e ouvir o que estão fazendo é incrível. Mostra como a obra está avançando em lugares dos quais nunca havíamos ouvido falar.”
Conectando-se para gerar impacto local
Além do fortalecimento de redes de relacionamento, as sessões do Concílio Anual orientam o trabalho da igreja local e inspiram os membros individualmente. Para Mohanraj, levar as iniciativas da Associação Geral “para a base, na Índia, e às igrejas locais é essencial.”
Uma das iniciativas que mais impactaram o crescimento e o envolvimento missionário da igreja na Índia é o programa Envolvimento Total dos Membros (Global Total Member Involvement). Essa iniciativa da Igreja Adventista propõe uma estratégia bíblica de evangelismo voltado para o discipulado e foi apresentada durante o Concílio Anual de 2023. Ele observou que, em algumas partes de seu território, é difícil realizar reuniões públicas fora dos templos.
Mesmo assim, Mohanraj destacou que, desde a implementação dessa iniciativa na região, os adventistas locais têm se envolvido cada vez mais no discipulado e na evangelização.
“É difícil”, disse ele, “mas continuamos a missão.”
No Cazaquistão, Askarova mencionou a iniciativa De Volta ao Altar (Back to the Altar), um projeto da Igreja Adventista que incentiva o retorno ao culto familiar diário, à oração e ao estudo da Bíblia — apresentado pela primeira vez à igreja mundial em 2022.
“Não podemos pregar publicamente nas ruas”, disse ela. “Mas os pequenos grupos do De Volta ao Altar estão promovendo um reavivamento espiritual. Ao participar, muitos foram desafiados a liderar e iniciar outros grupos por conta própria.”
Em seu primeiro Concílio Anual nesta semana, ela e outros delegados esperam aprender com líderes que enfrentam realidades diferentes e voltar para casa com maneiras práticas de fortalecer a missão e o discipulado em suas regiões.
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