“Quando o povo de Deus se reúne, representando nossa família mundial da Igreja, temos uma verdadeira celebração. E acredito que hoje estamos vivendo uma dessas celebrações”, disse Erton Köhler, presidente da Associação Geral, no início de sua mensagem pastoral anual, em 10 de outubro.
Ao se dirigir aos mais de 300 membros do Comitê Executivo da Associação Geral (GC EXCOM), reunidos na sede mundial da Igreja, em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos, Köhler conclamou os líderes adventistas a renovar seu compromisso, fundamentado na Bíblia, com a missão que Deus confiou à Igreja para este tempo.
“Este sábado e este Concílio Anual são uma excelente oportunidade para fortalecer nossa unidade e nosso compromisso de ser uma igreja sempre fundamentada na Bíblia e focada na missão”, afirmou aos líderes adventistas de todo o mundo.

Nossa certidão de nascimento
Köhler fundamentou sua mensagem no capítulo 10 do livro de Apocalipse, que chamou de “a certidão de nascimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia” e “o momento em que fomos chamados para a missão”. Ele relacionou esse capítulo a Apocalipse 14, no qual, segundo ele, Deus “entrega a mensagem a ser pregada” pelo movimento adventista.
Köhler lembrou aos líderes adventistas que a mensagem é transmitida por um anjo com um livro aberto. “O nascimento do movimento adventista está ligado a um Livro aberto, a uma Bíblia aberta”, afirmou. “É um chamado à missão”, porque “nossa igreja nasceu abrindo o Livro e estudando as profecias. E compartilhando essa mensagem com o mundo”.
Ele enfatizou que a mensagem de Apocalipse deve ser proclamada “em alta voz”, o que implica “um chamado à ousadia na missão”, indo “além do comum por Jesus”.
Köhler também destacou que a mensagem de Apocalipse 10 está ligada ao chamado de Apocalipse 14 para adorar o Criador. “Desde o início, o movimento adventista foi chamado a ser uma voz em defesa do criacionismo”, disse. “A mensagem criacionista é uma mensagem adventista.”

Um senso de urgência
Nesse sentido, Köhler afirmou que Apocalipse 10 deve nos inspirar um senso de urgência em tudo o que fazemos. “Podemos nos sentir desanimados ou reclamar da aparente demora (da segunda vinda de Jesus), mas nosso chamado é aproveitar ao máximo o tempo que ainda temos e preparar mais pessoas para a volta de Jesus.”
Köhler lembrou aos líderes adventistas que as decisões tomadas durante o Concílio Anual não são meramente administrativas. “Planos missionários, regulamentos, relatórios, alocações orçamentárias e escolhas estruturais devem ser nossa resposta à realidade de que o tempo que temos está se esgotando”, disse.
Ao mesmo tempo, Köhler lembrou aos líderes que Apocalipse 10 relata que João come o Livro antes de receber sua missão. “Você não pode proclamar o que não consumiu e digeriu”, afirmou. “A missão sem uma compreensão profunda da Palavra de Deus é vazia.”

Além do desapontamento
Mas aqueles que comeram o Livro sofreram o Grande Desapontamento quando Jesus não apareceu no dia em que esperavam Sua vinda.
Deus “enviou um pequeno grupo de pessoas desapontadas para preparar o mundo para Sua segunda vinda”, disse. “É um chamado que começou com desapontamento e terminará em glória e poder.”
Köhler também destacou a mensagem central de Apocalipse 10:11 — é necessário profetizar novamente a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis —, que chamou de “um redirecionamento que não silenciou a Igreja, mas lhe confiou uma missão”. “Da amargura vieram uma compreensão mais profunda, uma mensagem mais precisa e uma ordem renovada de profetizar novamente ao mundo inteiro.”
“A proclamação da mensagem da segunda vinda ainda não foi concluída. Ela precisa ser anunciada novamente, com um renovado senso de urgência, até que Jesus venha”, afirmou. “A bendita esperança que inspirou e mobilizou a geração do século 19 precisa agora ser proclamada mais uma vez pela geração do século 21.”
É uma missão que não tem fronteiras geográficas, enfatizou Köhler. “Nenhum oceano é amplo demais, nenhuma fronteira é fechada demais e nenhuma cultura pode ser resistente demais”, disse. “Nossa missão é global!”

Avançando juntos
Com base nesse chamado para alcançar o mundo, Köhler fez um apelo fervoroso para que todos avancem juntos, de forma integrada, enquanto a Igreja busca estabelecer uma presença adventista em regiões onde a bendita esperança ainda não é pregada e utilizar todos os meios de comunicação na missão de proclamar a breve volta de Jesus. Nesse sentido, Köhler afirmou: “A questão é se estamos abraçando plenamente esse chamado ou enfraquecendo nosso compromisso”.
“Este Concílio Anual não é apenas uma reunião administrativa, mas um momento de renovação do compromisso pessoal e institucional”, disse Köhler. “Vamos usar tudo o que temos e tudo o que somos para a missão. Vamos fazer da missão a prioridade da Igreja de Deus pelo poder do Espírito Santo”, apelou.
Köhler encerrou lembrando aos membros do Comitê Executivo da Associação Geral que a missão é muito maior do que nós, “mas o mesmo Jesus que nos deu a visão também nos dará os recursos de que precisamos para sermos ousados em Sua missão”.
A pergunta central, disse ele, é: “Você está disposto a fazer parte?”
Líderes respondem ao chamado
O apelo de Köhler repercutiu nas conversas com líderes da Igreja após a mensagem de sábado. Vários deles destacaram a necessidade de ir além de afirmar que a missão é uma prioridade e examinar como essa prioridade orienta a liderança, os recursos e o trabalho da Igreja.
Para Ivelisse Herrera, tesoureira da Divisão Interamericana (DIA), um dos pontos mais marcantes foi a ênfase de Köhler no senso de urgência que permeia a mensagem profética de Apocalipse. A aparente demora da volta de Cristo, afirmou ela, existe na percepção humana do tempo, e não nos propósitos de Deus.
“A mensagem de Apocalipse é de urgência, não de demora nem de tempo para distrações”, disse Herrera. “Por isso, é importante entendermos que nossa razão de existir como Igreja é o chamado para proclamar a volta de Cristo a todas as nações e povos.”
Herrera afirmou que a mensagem reforçou a direção estabelecida pelos líderes da DIA para os próximos anos, incluindo o fortalecimento da comunhão com Deus, da identidade cristã adventista, da unidade e do envolvimento total na missão. Ela citou o OneVoice27 e o Impacto 2028 — Cada Igreja, Uma Igreja como algumas das iniciativas por meio das quais a Divisão pretende colocar essa ênfase em prática.
“É assim que a Interamérica deve demonstrar seu senso de urgência no cumprimento de nosso chamado”, afirmou.

Unindo todos em torno da missão
A questão de como unir as diferentes partes da Igreja em torno da missão também repercutiu entre líderes como G. Alexander Bryant, presidente da Divisão Norte-Americana (DNA). Bryant afirmou que a declaração de Köhler de que “a missão é um remédio para a Igreja de Deus” chamou sua atenção porque a missão pode ser um ponto de convergência, mesmo em meio às diferenças.
“Não importa onde você esteja nem qual seja sua posição no espectro teológico, todos podemos nos unir em torno da missão”, disse Bryant. “Ela nos mantém focados no que precisamos fazer. E também nos ajuda a manter tudo na devida perspectiva.”
Para Bryant, esse foco renovado também trouxe uma questão prática sobre integração. Ele afirmou que associações e uniões da América do Norte estão envolvidas em inúmeros projetos missionários ao redor do mundo, às vezes sem saber que outras entidades da Igreja estão trabalhando nos mesmos lugares.
“E se uníssemos nossos esforços?”, perguntou, destacando a possibilidade de um impacto maior quando as entidades da Igreja coordenam seus recursos e esforços. Segundo ele, a ênfase da DNA em “Juntos na Missão” está diretamente alinhada ao Mission Refocus e tem levado os líderes a repensar como integrar seu trabalho de maneira mais eficaz.

Remar, em vez de balançar o barco
Harrington Akombwa, presidente da Divisão Africana do Sul e do Oceano Índico, afirmou que uma frase do sermão de Köhler ficou especialmente marcada em sua memória: “Você não consegue balançar o barco quando está ocupado remando”.
Para Akombwa, a ilustração expressou a ideia da missão como um remédio para a Igreja. Quando os membros estão ativamente envolvidos na obra do evangelho, disse ele, há menos espaço para disputas e críticas desnecessárias e mais motivos para trabalharem lado a lado.
Akombwa também relacionou o Mission Refocus à necessidade de direcionar recursos para lugares onde décadas de trabalho da Igreja resultaram em pouca ou nenhuma presença adventista. “A obra não será concluída em nosso território até que seja concluída em todos os lugares, até que entremos em cada lugar”, afirmou.

Também no âmbito da igreja local
O chamado assumiu uma forma diferente no âmbito da igreja local, mas trouxe o mesmo senso de urgência para Sujin Kwon, pastor da Coreia do Sul. Kwon pastoreia uma pequena congregação com cerca de 40 pessoas que frequentam regularmente os cultos, muitas delas de idade avançada. Ele reconheceu a dificuldade de alcançar novas pessoas em uma comunidade cuja população está diminuindo e onde muitos moradores mais jovens se mudam para cidades maiores.
Kwon afirmou que muitas das crianças e dos jovens que antes frequentavam sua congregação deixaram de participar à medida que cresceram, mas acredita que a igreja precisa voltar a fazer um esforço intencional para alcançar as gerações mais jovens.
“Precisamos fazer isso de novo”, disse.






