Líderes de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa (PARL) da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Divisão Africana Centro-Ocidental (DACO) reuniram-se para uma reunião consultiva em Acra, Gana, de 12 a 17 de março de 2026, com foco no fortalecimento das ações de defesa em um contexto de crescentes desafios globais à liberdade de consciência.
Realizado sob o tema “Integrados para a missão”, o encontro reuniu representantes de 22 países, com o apoio da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. As reuniões foram realizadas na sede da União Sudoeste de Gana.
Entre os participantes estavam Nelu Burcea, diretor de PARL da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, acompanhado de seus associados Elie Henry e Andy Im, além de Dickson Sarfo Marfo, tesoureiro da DACO, e Abraham Bakari, diretor de PARL da DACO.
Nelu Burcea elogiou “a profundidade das discussões e, especialmente, a riqueza proveniente da diversidade dos contextos nacionais”, destacando que essa diversidade é “um ativo estratégico para aprimorar os mecanismos de defesa e adaptar as respostas às realidades locais”.
Desafios contínuos à liberdade religiosa
Os participantes relataram que, embora a liberdade religiosa seja protegida constitucionalmente em muitos países, sua aplicação prática ainda é inconsistente. Entre os desafios discutidos estão restrições que afetam a observância do sábado, limitações na educação e no emprego, além de questões mais amplas, como perseguição, violência e ameaças à segurança pessoal.
Os relatórios também destacaram preocupações relacionadas a mulheres e crianças, bem como tensões envolvendo processos eleitorais e práticas de sepultamento.
Liberdade religiosa como princípio e prática
Ao longo do encontro, os palestrantes enfatizaram que a liberdade religiosa vai além dos marcos legais. As apresentações ressaltaram sua base no princípio da liberdade de consciência, fundamentado no respeito à escolha individual.
Burcea incentivou os líderes a fortalecer o engajamento com instituições públicas e comunidades, destacando a importância de construir relacionamentos intencionais com autoridades governamentais e outros grupos religiosos. Ele também encorajou os participantes a enfrentar barreiras internas que possam limitar uma atuação mais eficaz.
Engajamento estratégico e capacitação
As sessões incluíram estudos de caso em contextos bíblicos, históricos e contemporâneos, oferecendo abordagens práticas para lidar com os desafios da liberdade religiosa. Entre os principais temas abordados estiveram a relação entre liberdade religiosa e missão, o engajamento com autoridades públicas e a adaptação de estratégias aos contextos nacionais.
Os participantes também foram apresentados ao trabalho de organizações como a Associação Internacional de Liberdade Religiosa e a Associação Africana de Liberdade Religiosa.
Percepções do campo e reflexão histórica
Relatórios de líderes regionais trouxeram uma visão sobre as condições locais e os esforços em andamento para promover a liberdade religiosa. Os participantes também visitaram locais históricos e cívicos em Acra, incluindo o Castelo de Osu e o Museu Kwame Nkrumah, refletindo sobre as implicações mais amplas da dignidade humana e da liberdade.
Uma visita de cortesia a autoridades públicas também destacou o papel do engajamento baseado na fé nos espaços cívicos.
Visão estratégica 2025–2030
Um dos destaques do encontro consultivo foi a apresentação do Plano Estratégico 2025–2030. O plano delineia um direcionamento voltado ao futuro, com o objetivo de fortalecer a defesa da liberdade religiosa, a capacitação e o engajamento institucional em toda a divisão.
O documento enfatiza a formação estruturada de líderes, a documentação sistemática de violações, o aprimoramento das estratégias de comunicação e uma colaboração mais estreita com parceiros nacionais e internacionais. Também busca integrar de forma mais intencional a liberdade religiosa à agenda missionária da Igreja, garantindo que as ações de defesa sejam proativas, coordenadas e sustentáveis.
Vozes do campo
Os testemunhos dos participantes também destacaram o impacto do encontro. Justice Livingstone T.C. Eruba, diretor de PARL da União Leste da Nigéria, afirmou: “Acredito que foi uma experiência enriquecedora… fui exposto a novas perspectivas sobre liberdade religiosa… é algo muito dinâmico, não estático… há novas abordagens surgindo a cada momento…”. Ele acrescentou: “Não são pessoas comuns… são líderes de destaque… pastores experientes… pessoas com vivências diversas.”
Paul C. Ananaba, advogado residente na Nigéria, também compartilhou: “Este foi um dos melhores encontros consultivos de que participei… entramos em detalhes… creio que Deus nos fortalecerá ao retornarmos aos nossos campos para capacitar outros… e formar líderes mais eficazes.”
No mesmo sentido, Solace Asafo, diretor de PARL da União anfitriã, afirmou ter recebido uma visão renovada e louvou a Deus pela qualidade e profundidade das apresentações.
Principais resoluções
Os participantes identificaram várias prioridades para o futuro, incluindo o fortalecimento das ações de defesa, a melhoria da documentação e dos relatórios, a ampliação do treinamento para membros da igreja e o aprimoramento das estratégias de comunicação. Outras áreas de foco incluíram o diálogo inter-religioso, o apoio a pessoas afetadas e a integração da liberdade religiosa nas principais iniciativas missionárias.
Um compromisso contínuo
Ao final do encontro, os participantes enfatizaram a necessidade de esforços contínuos e coordenados para enfrentar os desafios à liberdade religiosa. Os líderes ressaltaram que a proteção da liberdade de consciência continua sendo essencial tanto para a prática da fé quanto para a estabilidade da sociedade em geral.
Este artigo foi fornecido pela Divisão Africana Centro-Ocidental.





