General Conference

Manual da Igreja passará por revisão “abrangente” antes de 2030

Delegados pedem esclarecimentos sobre o alcance da revisão, e proposta é aprovada por 167 votos a 32

Associação Geral

Jarrod Stackelroth, ANN
Gerson P. Santos, secretário associado da Associação Geral (AG), apresenta o item da agenda referente ao Manual da Igreja durante a sessão administrativa da tarde de domingo, 11 de outubro de 2026. [Foto: Tor Tjeransen/AME (CC BY 4.0)]

Gerson P. Santos, secretário associado da Associação Geral (AG), apresenta o item da agenda referente ao Manual da Igreja durante a sessão administrativa da tarde de domingo, 11 de outubro de 2026. [Foto: Tor Tjeransen/AME (CC BY 4.0)]

Em 11 de outubro, os delegados do Concílio Anual de 2026 aprovaram uma proposta para realizar uma revisão do Manual da Igreja.

Gerson Santos, secretário associado da Associação Geral (AG) da Igreja Adventista do Sétimo Dia, apresentou a proposta, explicando como se chegou à decisão, quais seriam as diretrizes do trabalho e qual seria o cronograma, a fim de que a versão revisada esteja pronta para votação na Assembleia da AG de 2030.

A proposta recomendava: “aprovar o conceito de uma revisão abrangente do Manual da Igreja a ser apresentada na Assembleia da Associação Geral de 2030”.

A expectativa é apresentar as recomendações à Assembleia da AG de 2030. No entanto, Santos reconheceu que será necessário muito trabalho até lá. “Para que isso aconteça, precisamos trabalhar muito nos próximos dois anos”, disse ele.

“Precisamos de tempo suficiente para deixar tudo pronto antes do Concílio Anual de 2028, para que tenhamos um ano para revisar o documento e trazê-lo de volta em 2029, a fim de que este órgão o inclua na agenda da Assembleia da AG.”

Santos apresentou o histórico da proposta, relatando que, em 2008, foi feita uma recomendação para uma atualização abrangente. Em 2019, houve outra recomendação de revisão; contudo, a pandemia de 2020 atrasou parte do processo.

“Sempre fazemos atualizações no Manual da Igreja”, disse Santos. “Isso vem acontecendo há décadas.”

Na última Assembleia da AG, 29 itens foram atualizados, especialmente trechos em que a linguagem era repetitiva ou redundante.

Santos apresenta a proposta aos participantes. [Foto: George Nelson / AME (CC BY 4.0)]

Processo de revisão proposto

A Comissão do Manual da Igreja reuniu-se em 15 de setembro e recomendou uma revisão abrangente. A comissão realizou uma segunda reunião em 29 de setembro para elaborar as diretrizes do trabalho e uma proposta de roteiro.

A revisão proposta examinaria a estrutura, a organização e a linguagem do Manual da Igreja, com ênfase na simplificação do conteúdo e na redução de repetições. Santos explicou que o processo também buscaria distinguir com mais clareza os princípios que se aplicam à Igreja mundial das práticas que podem variar de uma região para outra.

Em alguns casos, os suplementos das divisões poderiam oferecer orientações mais detalhadas para atender às necessidades locais, mantendo-se em harmonia com os princípios do Manual da Igreja.

A revisão envolveria consultas a líderes da Igreja em todo o mundo, incluindo pastores locais e outros líderes que utilizam o manual regularmente. Pesquisas e oportunidades de enviar sugestões ajudariam a identificar pontos que precisam de esclarecimento ou melhoria.

Uma equipe menor de revisão coordenaria o processo de redação sob a direção da Comissão do Manual da Igreja, com análises adicionais dos aspectos teológicos e de governança para garantir que as mudanças propostas permaneçam em harmonia com as crenças e a missão da Igreja.

De acordo com o cronograma proposto, uma versão preliminar seria preparada para apreciação pelo Concílio Anual de 2028, permitindo tempo para novas análises e ajustes. O documento revisado voltaria então ao Concílio Anual em 2029 para apreciação, antes de ser incluído na agenda da Assembleia da AG de 2030, na qual os delegados teriam a autoridade final para aprovar quaisquer mudanças.

“O objetivo é criar um manual da igreja que seja mais amplamente utilizado e aceito pela Igreja mundial”, disse Santos.

Santos destacou que algumas regiões do mundo utilizam o Manual da Igreja com mais frequência, mas expressou a esperança de que a atualização resulte em um documento “claro, coerente e prático”.

“Nosso objetivo é ter um documento que seja bastante funcional e claro para os líderes das igrejas locais”, disse ele.

Discussão dos delegados

A proposta gerou diversos comentários no plenário.

Norbert Zens, da Divisão Intereuropeia, classificou a iniciativa como “realmente corajosa” e buscou esclarecer o papel do Comitê Administrativo (ADCOM) na definição das revisões. Ele também questionou o prazo concedido, sugerindo que seria necessário tempo para “refletir sobre” a proposta e oferecer “contribuições substanciais”.

Santos respondeu: “A cada quinquênio, o ADCOM aprova novas comissões permanentes, e a Comissão do Manual da Igreja é uma delas, formada por membros deste comitê, com representação de leigos, pastores e administradores”.

Ted NC Wilson, ex-presidente da AG, pediu esclarecimentos sobre o significado da palavra “abrangente” na proposta. Ele disse que apoiaria as mudanças se ficasse claro que a intenção era “reduzir redundâncias, aumentar a clareza e, talvez, tornar o manual um pouco mais curto”.

Ele pediu esclarecimentos à liderança, dizendo que, caso contrário, a Assembleia da AG poderia durar não dez dias, mas trinta, o que provocou risos entre muitos dos presentes.

Erton Köhler, presidente da AG, respondeu do plenário: “Minha principal preocupação é que, em tempos de polarização, esse tipo de discussão possa dar margem a todo tipo de teoria da conspiração”.

“‘Abrangente’ significa da primeira à última página, e não rever princípios ou crenças fundamentais. Não estamos tentando flexibilizar nossos padrões de conduta ou nossas crenças fundamentais.” Köhler disse que a intenção era ler o Manual da Igreja na íntegra para integrar melhor os acréscimos, reduzir o conteúdo e garantir a conformidade com as normas legais ao redor do mundo.

“Nossa intenção não é alterar nada daquilo em que cremos como Igreja”, disse ele.

Johathan Lamorin, da Divisão Sul-Asiática do Pacífico, incentivou os participantes a lembrar que as mudanças estão sempre presentes e que poderiam “submeter isso ao Espírito Santo, ao Senhor”. Também afirmou que o trabalho seria realizado com “boas intenções”, para apresentar as revisões visando ao “bem da Igreja”.

“Espero que o que está sendo planejado aqui seja um manual da igreja mais enxuto”, disse Niklas Rantanen, da Divisão Transeuropeia. “Embora concluir esse trabalho exija um enorme esforço, talvez tenhamos mais facilidade nas assembleias seguintes. Se podemos revisar, devemos ao menos tentar.”

A proposta foi aprovada por 167 votos a 32.

Jarrod Stackelroth, ANN

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